Empresário também é credor: por que cobrar mal seus clientes pode estar quebrando sua empresa

Compartilhe:

Se você é empresário e sente que o dinheiro entra, mas nunca sobra, este texto foi escrito para você.
Muitos negócios não quebram por falta de vendas — quebram porque não conseguem receber aquilo que já venderam.
E isso quase nunca aparece no radar quando o problema começa.

“Minha empresa está endividada, mas eu vendo bem. Onde está o erro?”


Essa é uma das frases mais comuns ouvidas por quem lida com empresas em crise.
A resposta costuma ser dura, mas necessária:
👉 o problema não está só nas dívidas bancárias, está na forma como sua empresa cobra seus próprios clientes.
Enquanto você:
⦁ renegocia com bancos,
⦁ paga juros elevados,
⦁ compromete seu fluxo de caixa,
seus clientes:
⦁ atrasam,
⦁ parcelam indefinidamente,
⦁ deixam de pagar sem consequência real.

Empresário pode cobrar? Ou só banco cobra?


Essa pergunta aparece com frequência.
Sim, empresário pode e deve cobrar.
O que muitos não sabem é que crédito concedido ao cliente também é um risco financeiro — e precisa ser gerido.
Quando isso não acontece:
⦁ o caixa encolhe;
⦁ o banco vira sócio invisível;
⦁ a empresa passa a viver de crédito bancário;
⦁ a dívida vira uma bola de neve.

“Tenho clientes inadimplentes. Vale a pena cobrar ou deixo pra lá?”


Vale. E muito.
Deixar de cobrar pode significar:
⦁ perder dinheiro que já é seu;
⦁ continuar pagando juros bancários por falta de caixa;
⦁ transformar lucro em prejuízo;
⦁ comprometer a sobrevivência da empresa.
📌 Contas a receber são ativos.
E ativo parado enfraquece qualquer negócio.

Como a má cobrança leva o empresário ao banco


Quando a empresa não recebe:
⦁ falta dinheiro para fornecedores;
⦁ o estoque diminui;
⦁ o empresário busca capital de giro;
⦁ o banco oferece crédito fácil;
⦁ os juros corroem a margem;
⦁ novas dívidas surgem.
Esse ciclo é mais comum do que parece — e extremamente perigoso.

“Mas meus clientes são antigos, fico constrangido em cobrar”


Esse é um dos maiores bloqueios emocionais do empresário.
A verdade é simples:
⦁ cobrar não é desrespeitar;
⦁ cobrar não é romper relação;
⦁ cobrar é proteger a própria empresa.
Empresas quebram quando colocam o relacionamento acima da sustentabilidade.

É possível usar meus créditos para pagar dívidas?


Sim. E de forma legal e estratégica.
Em muitos casos, é possível:
⦁ negociar com fornecedores usando créditos a receber;
⦁ ceder direitos creditórios;
⦁ estruturar acordos sem recorrer a novos empréstimos;
⦁ transformar inadimplência em fôlego financeiro.
Mas isso exige análise jurídica e financeira adequada.

“Vale a pena procurar um advogado para isso?”


Aqui está um ponto-chave.
Um advogado com visão estratégica:
⦁ analisa contratos bancários;
⦁ identifica juros abusivos;
⦁ avalia contas a receber esquecidas;
⦁ estrutura negociações com credores;
⦁ protege patrimônio da empresa e dos sócios.
Mais do que processar, ele reorganiza o jogo financeiro.

Antes de buscar mais crédito, olhe para dentro da empresa


Se você pesquisou algo como:
⦁ empresa endividada o que fazer
⦁ como sair das dívidas empresariais
⦁ juros abusivos banco empresa
⦁ negociação de dívidas empresariais
talvez a resposta não esteja em mais um empréstimo.
Talvez esteja em:
⦁ cobrar melhor,
⦁ organizar recebíveis,
⦁ revisar contratos,
⦁ reestruturar o passivo com método.

A pergunta final (e mais importante)


👉 Se sua empresa parasse de conceder crédito mal gerido hoje, quanto fôlego financeiro ela teria em seis meses?
Responder isso muda tudo.
📌 Avalie sua situação antes de tomar decisões irreversíveis.

Fale com Especialista

Uma análise técnica no momento certo evita prejuízos difíceis de reparar.
No fim, o caminho mais seguro quase sempre começa com uma decisão simples:
procurar um especialista antes que o banco decida por você.

✍️ Sobre o autor


Cleverson Giovanni Bertotti é advogado inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil – Seção do Paraná (OAB/PR nº 64.804) desde 2012.
Atua com foco em Processo Civil, Direito Imobiliário e Direito Bancário, com diversos cursos de aperfeiçoamento em perícia bancária e análise de contratos financeiros.
Autor de centenas de artigos informativos voltados ao público consumidor e empresarial, já auxiliou centenas de famílias, consumidores e empresários a enfrentar situações de endividamento bancário com estratégia, segurança jurídica e visão de longo prazo.

Veja Mais