Minha empresa está endividada: devo negociar, revisar contratos ou reestruturar tudo?

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Se você chegou até aqui, provavelmente já fez todas as contas possíveis — e nenhuma fechou.


A empresa fatura, trabalha, vende… mas o dinheiro nunca sobra. O banco liga. O gerente “ajuda”. O limite acaba. O capital de giro vira rotina. E a pergunta que começa a incomodar é simples e dura:
o problema é falta de fôlego ou algo mais profundo?


Este artigo não promete soluções mágicas. Ele oferece clareza.

Quando a dívida deixa de ser pontual e vira estrutural


Toda empresa passa por fases difíceis.
O problema começa quando a dívida deixa de ser instrumento e passa a ser muleta.
Sinais comuns:
⦁ uso contínuo de cheque especial ou capital de giro;
⦁ renegociações sucessivas “para aliviar a parcela”;
⦁ aumento do prazo sem redução real do custo;
⦁ novas garantias para pagar dívidas antigas;
⦁ patrimônio pessoal começando a entrar no jogo.
Nesse ponto, insistir apenas em negociar pode ser o erro mais caro.

Negociar: quando ajuda — e quando piora


Negociar faz sentido quando:
⦁ a empresa tem operação saudável;
⦁ o problema é momentâneo;
⦁ o crédito foi bem precificado;
⦁ não há garantias sendo sacrificadas.


Negociar se torna perigoso quando:
⦁ a dívida cresce mesmo com pagamentos;
⦁ o banco impõe novos produtos;
⦁ o prazo dobra e o custo explode;
⦁ o empresário troca dívida sem garantia por dívida com garantia.
Aqui, negociar não resolve — apenas adia e agrava.

Revisar contratos: enxergar o que ninguém explicou
Muitos empresários descobrem tarde demais que:
⦁ os juros cobrados não são os contratados;
⦁ há tarifas embutidas sem base legal;
⦁ seguros foram incluídos sem solicitação;
⦁ o custo efetivo real nunca foi esclarecido.


A revisão de contratos bancários não é confronto.

É leitura técnica do que foi imposto em um momento de fragilidade.
Em muitos casos, ela muda completamente o cenário da dívida.

Reestruturar: quando negociar e revisar não bastam
Reestruturar não é fechar a empresa.

É reorganizar o jogo.


Uma reestruturação bem conduzida envolve:
⦁ análise global do passivo bancário;
⦁ separação entre dívidas viáveis e inviáveis;
⦁ revisão de contratos abusivos;
⦁ reorganização de fluxo de caixa;
⦁ avaliação de contas a receber esquecidas;
⦁ negociação estratégica com fornecedores antes dos bancos.
Aqui, a empresa deixa de reagir e passa a decidir.

A pergunta que ninguém quer fazer (mas precisa)


👉 Se eu continuar exatamente como estou hoje, onde minha empresa estará daqui a um ano?
Se a resposta não for confortável, insistir no mesmo caminho esperando resultado diferente não é prudência — é desgaste.

Não é sobre calote. É sobre sobrevivência jurídica e financeira.
Buscar orientação especializada não é desistir da empresa.

É assumir que decisões financeiras complexas exigem método, técnica e experiência.
O pior cenário não é admitir dificuldade.
O pior cenário é tomar decisões irreversíveis no desespero.
📌 Avalie sua situação antes de tomar decisões irreversíveis.

Uma análise técnica no momento certo evita prejuízos difíceis de reparar.


Ao final, a escolha é simples — embora não seja fácil:

👉 procurar um especialista pode ser o ponto de virada entre prolongar a crise ou reconstruir o negócio com segurança.

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✍️ Sobre o autor
Cleverson Giovanni Bertotti é advogado inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil – Seção do Paraná (OAB/PR nº 64.804) desde 2012.
Atua com foco em Processo Civil, Direito Imobiliário e Direito Bancário, com diversos cursos de aperfeiçoamento em perícia bancária e análise de contratos financeiros.
Autor de centenas de artigos informativos voltados ao público consumidor e empresarial, já auxiliou centenas de famílias, consumidores e empresários a enfrentar situações de endividamento bancário com estratégia, segurança jurídica e visão de longo prazo.

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