Durante períodos de dificuldade financeira, muitos empresários direcionam toda a sua atenção para o passivo da empresa: empréstimos bancários, limites estourados, capital de giro renovado, renegociações sucessivas.
Poucos, no entanto, fazem a pergunta certa:
Onde está o dinheiro que a empresa tem para receber?
A recuperação de crédito começa justamente aí.
Este artigo inaugura uma nova forma de olhar para empresas endividadas: menos desespero, mais estratégia.
O erro comum: buscar dinheiro no banco antes de olhar para dentro da empresa
Quando o caixa aperta, a reação imediata costuma ser previsível:
cheque especial, antecipação, capital de giro, renegociação para “sobrar troco”.
Esse caminho cria um efeito perigoso:
📉 mais juros,
📉 mais dependência bancária,
📉 menos margem de manobra.
Enquanto isso, valores expressivos permanecem parados nas contas a receber, muitas vezes tratados como incobráveis ou deixados em segundo plano.
Contas a receber também são ativos — e podem salvar a empresa
Recebíveis não são apenas números em planilhas.
Eles representam direito de crédito, e o direito de crédito pode ser:
⦁ negociado,
⦁ compensado,
⦁ cedido,
⦁ estruturado,
⦁ executado.
Em outras palavras:
💡 contas a receber podem se transformar em liquidez, sem necessidade de novos empréstimos bancários.
O arquétipo que guia essa abordagem: o estrategista
Nesta nova fase, o empresário deixa de agir como alguém “apagando incêndios” e assume o papel de estrategista financeiro do próprio negócio.
O estrategista:
⦁ não busca soluções imediatistas,
⦁ não troca dívidas sem garantia por dívidas com garantia,
⦁ não aceita crédito bancário como única saída.
Ele reorganiza o jogo.
Como a recuperação de crédito funciona na prática
A recuperação de crédito empresarial envolve, em regra, quatro movimentos coordenados:
- Mapeamento completo das contas a receber
Clientes inadimplentes, valores em atraso, prazos, documentos existentes e possibilidade real de cobrança. - Classificação estratégica dos créditos
Nem todo crédito deve ser cobrado da mesma forma. Alguns admitem:
⦁ acordo,
⦁ parcelamento,
⦁ compensação com fornecedores,
⦁ cessão para quitação de obrigações específicas. - Uso dos créditos como instrumento de negociação
É plenamente possível:
⦁ ceder créditos a fornecedores para extinguir dívidas,
⦁ utilizar recebíveis para amortizar obrigações,
⦁ reorganizar o passivo sem recorrer ao banco.
Tudo isso é lícito, estratégico e financeiramente mais saudável. - Atuação jurídica coordenada
Aqui, o papel do advogado muda completamente:
ele deixa de ser apenas um defensor em processos e passa a atuar como parceiro jurídico-financeiro da empresa.
Por que essa estratégia é superior ao endividamento bancário
Diferentemente dos bancos:
⦁ fornecedores não cobram juros sobre juros;
⦁ execuções não são automáticas;
⦁ o poder de negociação é mais equilibrado;
⦁ há espaço para soluções criativas e consensuais.
Já o banco:
⦁ opera com contratos rígidos,
⦁ protege-se com garantias,
⦁ transfere o risco integral ao empresário.
Por isso, negociar primeiro fora do sistema bancário costuma ser mais inteligente.
O papel do advogado especialista nessa engrenagem
Um advogado com atuação estratégica em finanças empresariais pode:
⦁ analisar contratos bancários e identificar abusos;
⦁ conduzir negociações com credores;
⦁ estruturar cessões de crédito juridicamente seguras;
⦁ recuperar valores esquecidos ou mal geridos;
⦁ proteger o patrimônio da empresa e dos sócios.
Mais do que resolver processos, ele reorganiza cenários.
A saída raramente está fora — quase sempre está dentro
Empresas não quebram apenas por dívidas.
Quebram por falta de estratégia.
Antes de contrair novos empréstimos, o empresário precisa olhar para:
⦁ seus créditos,
⦁ sua operação,
⦁ sua estrutura de custos,
⦁ sua capacidade real de recuperação.
Esse é o ponto de virada.
Ao final, lembre-se:
procurar um especialista no momento certo pode ser a diferença entre prolongar o problema ou reconstruir a saúde financeira da empresa.
✍️ Sobre o autor
Cleverson Giovanni Bertotti é advogado, inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil – Seção do Paraná sob o nº 64.804, desde 2012.
Possui formação e atuação especializada em Processo Civil, Direito Imobiliário e Direito Bancário, com diversos cursos de aperfeiçoamento na área bancária, especialmente em análise e perícia de contratos financeiros.
Ao longo de sua trajetória profissional, publicou centenas de artigos informativos voltados ao público consumidor e empresarial, tendo auxiliado centenas de famílias, consumidores e empresários a enfrentar e reorganizar situações de endividamento bancário com segurança jurídica e estratégia.

