Quando a empresa entra em dificuldade financeira, a reação mais comum do empresário é buscar crédito bancário.
Cheque especial, capital de giro, antecipação de recebíveis, renegociação com “troco” no caixa.
O problema é que, muitas vezes, esse movimento só aprofunda a crise.
Pior do que ter dívidas elevadas é tentar resolver tudo com novas dívidas, especialmente com bancos.
O erro mais comum: usar o banco como solução para problemas operacionais
Bancos não resolvem problemas estruturais da empresa.
Eles apenas financiam o problema — cobrando caro por isso.
Quando o empresário utiliza todas as linhas de crédito disponíveis:
⦁ compromete o fluxo de caixa,
⦁ perde margem de negociação,
⦁ e fica refém de juros, garantias e cláusulas abusivas.
Enquanto isso, a operação da empresa segue intocada, com custos elevados e ineficiências ocultas.
Antes de negociar com bancos, revise a operação
Um caminho mais seguro começa dentro da própria empresa.
Alguns pontos que precisam ser analisados com frieza:
🔹 Custos operacionais
⦁ despesas fixas infladas,
⦁ contratos antigos que nunca foram renegociados,
⦁ serviços terceirizados sem retorno proporcional.
🔹 Relação com fornecedores
⦁ muitos aceitam renegociação direta,
⦁ parcelamento,
⦁ ou até abatimentos para recebimento mais rápido.
Negociar com fornecedores em atraso é, via de regra, menos arriscado do que negociar com bancos.
Por que fornecedores são melhores para negociar do que bancos?
Porque fornecedores:
⦁ não cobram juros sobre juros,
⦁ não têm acesso imediato a bloqueios patrimoniais,
⦁ não operam com garantias reais como alienação fiduciária,
⦁ e, na maioria das vezes, não possuem estrutura jurídica tão agressiva quanto a dos bancos.
Isso dá ao empresário tempo, margem e poder de diálogo.
Recuperação de crédito: dinheiro que está dentro da empresa, mas parado
Outro erro comum é ignorar as contas a receber.
Empresas em crise frequentemente:
⦁ deixam de cobrar clientes inadimplentes,
⦁ aceitam atrasos sucessivos,
⦁ ou simplesmente “esquecem” créditos antigos.
👉 Esse dinheiro não está perdido.
Ele apenas não está sendo trabalhado.
É plenamente possível:
⦁ recuperar créditos,
⦁ renegociar valores,
⦁ e até ceder créditos a fornecedores como forma legítima de pagamento.
Essa operação é legal, estratégica e eficiente — quando bem estruturada.
Ceder crédito para pagar dívida: é possível e legítimo
Poucos empresários sabem, mas:
⦁ um crédito que a empresa tem contra um cliente
⦁ pode ser utilizado para liquidar ou amortizar dívida com fornecedor.
Isso exige:
⦁ análise jurídica,
⦁ formalização correta,
⦁ e segurança para todas as partes.
Quando mal feita, gera risco.
Quando bem conduzida, libera caixa sem gerar nova dívida bancária.
O papel do advogado especialista em finanças empresariais
Nesse cenário, o advogado não atua apenas “contra o banco”.
Ele atua como estrategista financeiro-jurídico, capaz de:
⦁ mapear a carteira de credores,
⦁ priorizar negociações,
⦁ recuperar créditos inadimplidos,
⦁ estruturar cessões de crédito,
⦁ simular cenários,
⦁ analisar juros bancários já pagos,
⦁ e construir um plano real de fôlego financeiro.
Buscar soluções dentro da empresa é quase sempre mais eficiente do que contrair novos empréstimos.
NUNCA FAÇA: baixar o CNPJ e abrir outro no nome de terceiros
Muitos empresários cogitam:
⦁ fechar a empresa endividada,
⦁ abrir outra em nome de parente ou funcionário,
⦁ e “recomeçar”.
Essa prática é altamente perigosa.
Ela pode gerar:
⦁ desconsideração da personalidade jurídica,
⦁ responsabilização pessoal,
⦁ bloqueio de bens futuros,
⦁ e invalidação completa da manobra.
O problema não desaparece — ele apenas muda de forma e volta mais grave.
Conclusão: a saída não está no banco, está na estratégia
Para o empresário endividado, contrair mais crédito é, quase sempre, o pior caminho.
A solução passa por:
⦁ reorganizar a operação,
⦁ renegociar fornecedores,
⦁ recuperar créditos,
⦁ reduzir dependência bancária,
⦁ e usar o banco apenas como parte — e não como centro — da estratégia.
Um advogado especialista em finanças empresariais pode conduzir esse processo com segurança, visão sistêmica e proteção jurídica.
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✍️ Sobre o autor
Cleverson Giovanni Bertotti é advogado, inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil – Seção do Paraná sob o nº 64.804, desde 2012.
Possui formação e atuação especializada em Processo Civil, Direito Imobiliário e Direito Bancário, com diversos cursos de aperfeiçoamento na área bancária, especialmente em análise e perícia de contratos financeiros.
Ao longo de sua trajetória profissional, publicou centenas de artigos informativos voltados ao público consumidor e empresarial, tendo auxiliado centenas de famílias, consumidores e empresários a enfrentar e reorganizar situações de endividamento bancário com segurança jurídica e estratégia.

