Como Levantar e Comprovar as Dívidas do Casal Antes do Divórcio

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Por que levantar todas as dívidas antes do divórcio?

Porque sem esse levantamento, a partilha fica incompleta e injusta.
Bancos, financeiras e credores não se importam com o divórcio: eles continuam cobrando quem assinou o contrato.
Se a dívida foi usada para benefício da família, ela deve ser analisada e dividida — e isso só é possível com documentação adequada.


📂 Quais dívidas devem ser levantadas antes da separação?

Todas as contraídas durante a união, especialmente:

  • Empréstimos pessoais;
  • Cartões de crédito (inclusive adicionais);
  • Cheque especial;
  • Financiamento de imóvel;
  • Financiamento de veículo;
  • Contratos consignados;
  • Dívidas tributárias (IPTU, IPVA);
  • Contratos de crédito rotativo ou contas parceladas.
  • Entre outras…

Mesmo que estejam no nome de apenas um dos cônjuges, devem ser analisadas quanto ao benefício comum do casal.


🧾 Quais documentos são essenciais para comprovar as dívidas?

Para cada tipo de dívida, o ideal é reunir:

  • Últimos 12 meses de extratos bancários;
  • Faturas completas de cartões de crédito;
  • Contratos de financiamento (imóveis, carros, empréstimos);
  • Comprovantes de pagamento;
  • Boletos vencidos e a vencer;
  • Histórico de operações (quando disponível no banco);
  • Extrato do registrador de imóveis indicando ônus reais;
  • Extratos de consignação na folha (para servidores ou celetistas).

Esses documentos permitem identificar:
✔ data da dívida,
✔ finalidade,
✔ valor atualizado,
✔ eventual prescrição,
✔ e se houve benefício comum.


🔍 Como saber se a dívida beneficiou o casal?

Algumas perguntas resolvem isso rapidamente:

  • A dívida foi usada para custear despesas da família?
  • O valor financiou reforma do imóvel, compra de carro ou gastos comuns?
  • Os dois tinham acesso ao crédito (ex.: cartão adicional)?
  • A dívida substituiu renda que era usada para os filhos?

Se a resposta for “sim”, a dívida tende a ser comunicável.

Se a dívida foi feita por gasto pessoal oculto, aposta, jogo, presente para terceiro ou ato ilícito, ela tende a ser exclusiva de quem contraiu.


🏠 E as dívidas vinculadas a bens do casal?

Essas são as mais importantes — e as mais perigosas quando ignoradas.
Envolvem:

  • Financiamento da casa;
  • Financiamento do veículo;
  • Empréstimos usados para aquisição de bens;
  • Condomínio e IPTU atrasados;
  • Ônus reais registrados no cartório.

Toda dívida que estiver atrelada a um bem que será partilhado deve obrigatoriamente entrar na divisão patrimonial.


💥 O que acontece se o casal não levantar as dívidas antes do divórcio?

  • Um dos ex-cônjuges pode ser cobrado sozinho;
  • O nome pode ser negativado;
  • Pode haver bloqueio judicial;
  • Dívidas podem “estourar” anos depois;
  • Pode impedir compra de imóvel ou financiamento futuro;
  • O acordo de divórcio pode virar nulo ou precisar de revisão judicial.

A ausência de levantamento financeiro é um dos maiores motivos de litígios posteriores.


👨‍⚖️ Por que o levantamento deve ser feito por advogado especializado?

Porque envolve direito de família + análise financeira + matemática contratual.
Um especialista consegue:

  • Identificar dívidas ocultas ou não declaradas;
  • Atualizar valores corretamente;
  • Demonstrar quais dívidas são comunicáveis;
  • Propor divisão justa;
  • Prevenir prejuízos futuros;
  • Blindar o acordo contra questionamentos posteriores.

Sem essa análise técnica, o risco de injustiça patrimonial é enorme.


🌿 Conclusão

Levantar e comprovar todas as dívidas antes do divórcio é tão importante quanto partilhar bens.
É a única forma de garantir que nenhuma parte saia prejudicada e que o acordo seja seguro, completo e definitivo.

👉 Antes de assinar qualquer acordo de divórcio ou dissolução de união estável, faça um levantamento completo das dívidas do casal.


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Sobre o Autor

Cleverson Giovanni Bertotti é advogado inscrito na OAB/PR sob o nº 64.804, atuante desde 2012 nas áreas de Direito de Família, Direito Imobiliário e Direito Bancário. Possui formação complementar em análise financeira aplicada ao direito e experiência consolidada na condução de processos de divórcio, partilha de bens e reestruturação patrimonial. Seu trabalho é focado em orientar famílias com clareza, segurança e técnica jurídica.

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